domingo, 19 de agosto de 2007

DERRAMANDO A DOR

Mariana MÃE

Buscar reconstituir uma identidade, a identidade que perdemos, por sentir fragmentada a nossa história, tentando nos colocar de volta no mundo social, no grupo a que pertencemos, que se tornou distante, a partir da dor de perder alguém especial, é um caminho de muitos espinhos perfurantes.

Minha pretensão não é trazer formulas, conselhos, ou algo semelhante, para "meus pares", aqueles que como eu, enfrentam um mundo novo, um mundo amputado; é simplesmente dizer de sentimentos que talvez sejam comuns a um grupo humano que se antecipou na fila da vida, a experimentar o "sofrimento causado pela perda de alguém muito próximo".

O Dr. Colin Murray Parkes, referência mundial na recuperação de pessoas que perderam alguém", falou dentre outros aspectos, na sua entrevista à Revista Veja, de 15 de agosto de 2007:

"Escuto muitas histórias de enlutados que afirmam que seus vizinhos mudam de calçada quando os vêem chegando. É evidente que eles não fazem isso de propósito. O fato é que ninguém sabe lidar direito com a morte;

...a terapia tenta fazer com os enlutados: ajudá-los NÃO a esquecer seus mortos, mas A ACHAR UM LUGAR PARA ELES EM SUA VIDA".

É processando todo o sofrimento, enfrentando a dor, na medida da nossa capacidade de digerir tamanha catástrofe, que começamos a emergir dos escombros do desastre, que é a MORTE.
Há um tempo de torpor, um tempo de horror, um tempo de silenciar, um tempo de falar, um tempo de continuar seguindo...
A vida é escola que não nos poupa de experiências de felicidade e de tristeza...
Felicidade, quando a tristeza é apenas teoria, está no outro, no mundo, mas não nos atingiu;
tristeza, quando temos que digerir agora, em mim mesmo, tristeza e dor que, de experiência do outro, passa a ser experiência minha!!!
(marianabbcerqueira)

"Na sua longa caminhada desde os tempos mais remotos, o homem sempre procrou a identidade com seu par, com sua tribo, com seu grupo social. Ele jamais desejou ser diferente, na medida em que tal diferença implicasse distanciamento de seu grupo".(PITANGUY, Ivo)







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O estigma da morte é ferro, fogo e sangue nas emoções. É o peso que se carrega, não apenas pessoal, mas coletivamente, no prcessar simbólico do que é viver e do que é morrer! É a experiência humana de finitude! É mergulho profundo nas aguas da emoção, razão, imaginação. Tudo em busca de um sentido, da fé...