domingo, 23 de março de 2008

HOJE ONTEM...

(ultima foto de PEDRO, junto ao MAR, que tanto apreciava!)


mariana MÃE

transborda, além de mim...
desconforto,
desconsolo!
silêncio tempestuoso...

lugar nenhum,
palavra vazia,
esperança inimaginável!
muletas derrubadas!

te procuro,
não percebo,
não te vejo,
mas existe você em mim.

será que seu lugar,
é apenas, eu mesmo?
seu início e eternidade,
em mim mesmo?

o eterno se calou,
o eterno se fechou,
o eterno desertificou,
o eterno quer ser povoado...

o eterno sou eu mesmo?
só encontro você, em mim mesmo...
sou seu princípio e sua continuidade,
sou o eterno de você...

transbordando ser,
cordão inquebrantável,
gestação extra-corpórea,
maternidade além!

procuro você, ou eu mesmo?
se sou, sou eu e sou você,
se você é,
eu sou eu e você,

quero acreditar,
que existe algum lugar,
lugar que estará, eu e você,
lugar que não sou eu
e nem você...

palavras lágrimas!
porque hoje é ontem e amanhã...(marianabbcerqueira)

quinta-feira, 20 de março de 2008

CARTA ABERTA A LUCIANA

Mariana MÃE

Luciana,

feriados de "Semana Santa"...
um acordar de pesadelo.
Depois deste tempo,
um novo adormecer letárgico...
a sabedoria inconsciente,
produz um torpor,
para que a vida continue
a florescer em sonhos e projetos,
vivendo Pedro,
nas ações do dia a dia.

Há marcas que insistem em permanecer,
há imagens que se reproduzem,
o filme permanece vivo!
o tempo congela no ontem,
o ontem que é agora,
20 de abril de 2003;
o tempo não tem sucessão,
se fez eterno!

O convite para Ilha.
quinta-feira!
o telefonema da Ilha para o continente;
mãe, já cheguei!
sábado de aleluia!
um telefonema na madrugada...
uma voz se cala para sempre!
Não teve mais retorno para casa,
para a faculdade,
para o convivio da família.

O cortejo!
assistir, acomodar no espaço derradeiro,
no berço gélido da terra,
o fim de um projeto VIVO,
meu FILHO, PEDRO!

Luciana, você deixou registrado,
no coração,
na mente,
em depoimento,
e está no processo,
que não tinha feito uso de bebida alcoólica!
que era a única do grupo, nessa condição!
você também registrou,
que solicitou dirigir o veículo,
reconhecendo, a falta de condições
de quem dirigia o carro...
seu corpo também registrou marcas,
a inconsequência, que não foi sua;
você apenas, foi companhia,
agora, VÍTIMA e TESTEMUNHA!

Você também reconhece o impacto provocado,
tamanha a velocidade!
Uma vítima fatal e um sequelado.

A física explica o impacto:
para uma ação, uma reação, igual e em sentido contrário.
O arremesso e as perdas,
têm explicações objetivas.

"O acidente de trânsito não é uma fatalidade".

Não sei se você leu o processo,
mas está registrado,
na Denuncia do Ministério Público:

..."agindo assim, cometeu (J. M. de M. R.) os delitos previstos nos arts. 302 e 303, da Lei 9503/97, pelo que contra ele se oferece a presente denuncia que recebida e autuada se lhe deve dar ciência para comparecer em juízo para interrogatório e demais atos processuais até final sentença, quando se espera venha a ser condenado nas sansões previstas no dispositivo legal supra, ouvindo as testemunhas abaixo arroladas"...

Você está nominalmente indicada para ser testemunha,
nessa nova fase do processo!

Não sei se você lembra,
sua convocação
foi solicitada por duas vezes.
Isso já faz algum tempo!
mas você não compareceu!!!

Que pena!
Nós, vítimas do trânsito,
temos a responsabilidade cidadã,
de fazer a nossa parte.
O que impede o seu direito e dever cidadão?

..."Todos os dias morrem mais de 3000 pessoas em acidentes de trânsito; Muitas outras sobrevivem com sequelas que as marcam para sempre. E uma fração de segundo, um acidente de trânsito muda definitivamente a vida de alguém...(Declaração dos jovens sobre segurança no trânsito)

A VIDA AGRADECE O SEU TESTEMUNHO!!!

LIBERDADE E CONSCIÊNCIA, CAMINHOS DE CIDADANIA!

VIDA É PRESENTE PRECIOSO, QUE MARAVILHA VIVER!!!

marianabbcerqueira, MÃE de PEDRO

sábado, 15 de março de 2008

CONSCIÊNCIA

Mariana MÃE


"ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM"!
Esse não saber o que se faz, me parece estar, no contexto do FAZER, sob o domínio das EMOÇÕES, das drogas, aí incluídas as drogas lícitas, à exemplo do ALCOOL, e outras, e etc.
Só sob o domínio da RAZÃO, temos CONSCIÊNCIA, e por conseguinte, LIBERDADE;
LIBERDADE, enquanto ESTADO DE SI, SER CONSCIÊNCIA.
É nesse nível, que discernimos e fazemos escolhas consequentes.
As EMOÇÕES são CEGAS, ENTORPECEM!
Verdadeiros MARIONETES, nos fazem, as EMOÇÕES!
O GRANDE CASTIGO: TER CONSCIÊNCIA...
Escolhas, discernimento, no cardapio da cultura da vida, com análise, avaliação e reflexão, baseadas no critério de verdade universal e eterna...
É bom que lembremos, que a emoção passa, a consciência retorna.
E aí, como fica na consciência, o torpor da inconsciência que passa?
E se o torpor da inconsciência, das emoções, produziu VÍTIMAS?
Que nossas ações, sejam sempre consequentes, DESTACADAMENTE QUANDO SE COLOCA EM JOGO, A VIDA DO OUTRO.
ESTE É UM CHAMADO PARA QUE TODOS TENHAMOS SEMPRE E DESTACADAMENTE, A CONSCIÊNCIA DA NOSSA RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL, AO DIRIGIR UM VEÍCULO.
Nesta semana próxima, teremos muitos feriados pela frente, estejamos atentos para os PERIGOS DA DIREÇÃO VEICULAR, COM RELAÇÃO A NOSSA AÇÃO E A DO OUTRO
.(Marianabbcerqueira)

F I I I I I I I I I I I I I I I I I L H O ! P E E E E E E E E E D R O !

Mariana MÃE

Na vida, com relação às perdas pessoais, poderíamos definir duas categorias:

.o que perdemos de nós mesmos, nosso potencial, nossas ações, nossos desejos, nosso ser físico, mental, emocional, nosso poder, nosso ter, nossa saúde, etc; perdemos em nós para o nosso próprio desenvolvimento ou nosso desalento;

.a outra categoria, seria o que perdemos do outro, no outro e em nós mesmos.

Se esse outro é um FILHO, perdemos de nós mesmos e perdemos do outro. As duas categorias se fundem.
Perdemos em nós mesmos, porque ficamos mutilados.
Uma parte de mim, foi retirada! MEU FILHO!
Não existe prótese, capaz de recompor esta parte perdida, retirada. Ficam as sensações de presença; de existência sem presença; de vida, sem sinais vitais; de continuidade, sem os efeitos da passagem do tempo; de família inteira, mesmo faltando uma parte; da mesma quantidade de filhos, mesmo tendo uma ausência.
Fica um projeto inacabado, e fica a insistência de dar vida a uma vida que se foi e a tarefa de fazer, o que poderia ser feito, o que poderia ter sido.
Talvez esteja aí a sensação da perda irreparável, porque tudo que perco em mim mesmo, posso transformar, mas o que perco no outro e do outro, não sou eu mesmo, mas, o que do outro existe em mim. E o que desse outro, tenho em mim, existe em mim,é a própria vida!
Transformar e viver, o que não está mais visível, o que não tem representação física no espaço-tempo, é tarefa dos sentimentos, das emoções e se desprende uma energia, superior à da racionalidade.
Tanto o mundo dos sentimentos, quanto o caminho da fé, traz a representação, presença e vida do outro, mesmo invisível, e se diz eterna, a vida!
Um lugar especial no mundo, continua sendo, de PEDRO, meu FILHO, porque:

FILHO é possibilidade de continuação, é processo permanente!

FILHO, é VIDA que carrega VIDA!

FILHO, é VIDA e SEMENTE de VIDA!

FILHO, é sintese, TUDO!

FILHO, é condição do ABSOLUTO, no TEMPO!

JESUS, é FILHO do homem!

JESUS, é FILHO DE DEUS!

FILHO, é imagem do HOMEM e imagem de DEUS!

MEU FILHO, PEDROHENRIQUEBARRETOCERQUEIRA, que se fez eterno!
Estes são escritos gritos, da dor e na dor do calvário de PEDRO, neste tempo de morte e vida, de PEDRO e de CRISTO.
Vivenciando a experiência de MARIA, MÃE de DEUS, percorro os caminhos do calvário de PEDRO.
Quão dolorosa dor!!!
Este é o quinto ano, que percorro esta dolorosa paixão e morte de PEDRO,numa via escura, sem luar, perto do mar, numa madrugada, vespera da ressurreição!
Pairam muitas reflexões que em nada muda o acontecido, mas que poderão servir de alerta para preservação de outras vidas no trânsito.
A Justiça está a caminho.
Em julgamento, a ação humana, não o fatalismo. Evitemos pensar em fatalismos.
O FATALISMO preconiza, que ..."tudo é necessário, temos que nos conformar e nos resignar".
"O ACIDENTE DE TRÂNSITO NÃO É UMA FATALIDADE"!

REFLEXÕES/INDAGAÇÕES:

SE, o "amigo" de PEDRO, que dirigia o veículo, não tivesse ingerido bebida alcoólica, antes do acidente;

SE, o "amigo" de PEDRO, que dirigia o veículo, que fez PEDRO, vítima FATAL, não tivesse apenas, 06 MESES de PERMISSÃO PARA DIRIGIR;

SE, o "amigo" de PEDRO, estivesse na velocidade compatível, com o dia chuvoso, a pista escura e molhada, e a permitida pelo trânsito da via;

SE, a velocidade impressa, pelo "amigo" de PEDRO, permitisse desviar sem os impactos e perdas provocados, do citado animal;

Se o "amigo" de PEDRO, não estivesse num período de problemas afetivos, pessoais e familiares;

Se o "amigo" de PEDRO, não tivessse assumido os riscos da velocidade e da ingestão de bebida alcoólica, muita coisa poderia ter sido evitada, destacadamente, a MORTE DE PEDRO. Pois a única pessoa, que estava no carona, que não tinha feito uso de bebida alcoólica, pediu para assumir a direção do veículo, mas o amigo de PEDRO, se negou a transferir o comando do veículo, portanto assumiu todos os riscos.

"Não é possivel voltar no tempo e salvar os que já morreram nas estradas, mas sim impedir outras PERDAS DESNECESSÁRIAS"...(Declaração dos jovens sobre segurança no trânsito)

Na Denuncia do Ministério Público, está pontuado, que o "amigo" de PEDRO, cometeu os delitos previstos nos arts. 302 e 303 da Lei 9503/97. (marianabbcerqueira)

sábado, 1 de março de 2008

PORTAS E JANELAS

Mariana MÃE

Fechei portas e janelas do meu coração.
Não deixei entrar mais ningém.
Tem rastros de todos que por ele passaram.
Todos aí ficaram, de alguma maneira.
Algus se esconderam e teimam não aparecer;
Outros estão sentados, imóveis, aguardanso que os presentei com palavras, sentimentos!
Percebo que não há movimento!

(escrito em 14/10/07 marianabbcerqueira))

Quem sou eu

Minha foto
O estigma da morte é ferro, fogo e sangue nas emoções. É o peso que se carrega, não apenas pessoal, mas coletivamente, no prcessar simbólico do que é viver e do que é morrer! É a experiência humana de finitude! É mergulho profundo nas aguas da emoção, razão, imaginação. Tudo em busca de um sentido, da fé...