sábado, 15 de março de 2008

F I I I I I I I I I I I I I I I I I L H O ! P E E E E E E E E E D R O !

Mariana MÃE

Na vida, com relação às perdas pessoais, poderíamos definir duas categorias:

.o que perdemos de nós mesmos, nosso potencial, nossas ações, nossos desejos, nosso ser físico, mental, emocional, nosso poder, nosso ter, nossa saúde, etc; perdemos em nós para o nosso próprio desenvolvimento ou nosso desalento;

.a outra categoria, seria o que perdemos do outro, no outro e em nós mesmos.

Se esse outro é um FILHO, perdemos de nós mesmos e perdemos do outro. As duas categorias se fundem.
Perdemos em nós mesmos, porque ficamos mutilados.
Uma parte de mim, foi retirada! MEU FILHO!
Não existe prótese, capaz de recompor esta parte perdida, retirada. Ficam as sensações de presença; de existência sem presença; de vida, sem sinais vitais; de continuidade, sem os efeitos da passagem do tempo; de família inteira, mesmo faltando uma parte; da mesma quantidade de filhos, mesmo tendo uma ausência.
Fica um projeto inacabado, e fica a insistência de dar vida a uma vida que se foi e a tarefa de fazer, o que poderia ser feito, o que poderia ter sido.
Talvez esteja aí a sensação da perda irreparável, porque tudo que perco em mim mesmo, posso transformar, mas o que perco no outro e do outro, não sou eu mesmo, mas, o que do outro existe em mim. E o que desse outro, tenho em mim, existe em mim,é a própria vida!
Transformar e viver, o que não está mais visível, o que não tem representação física no espaço-tempo, é tarefa dos sentimentos, das emoções e se desprende uma energia, superior à da racionalidade.
Tanto o mundo dos sentimentos, quanto o caminho da fé, traz a representação, presença e vida do outro, mesmo invisível, e se diz eterna, a vida!
Um lugar especial no mundo, continua sendo, de PEDRO, meu FILHO, porque:

FILHO é possibilidade de continuação, é processo permanente!

FILHO, é VIDA que carrega VIDA!

FILHO, é VIDA e SEMENTE de VIDA!

FILHO, é sintese, TUDO!

FILHO, é condição do ABSOLUTO, no TEMPO!

JESUS, é FILHO do homem!

JESUS, é FILHO DE DEUS!

FILHO, é imagem do HOMEM e imagem de DEUS!

MEU FILHO, PEDROHENRIQUEBARRETOCERQUEIRA, que se fez eterno!
Estes são escritos gritos, da dor e na dor do calvário de PEDRO, neste tempo de morte e vida, de PEDRO e de CRISTO.
Vivenciando a experiência de MARIA, MÃE de DEUS, percorro os caminhos do calvário de PEDRO.
Quão dolorosa dor!!!
Este é o quinto ano, que percorro esta dolorosa paixão e morte de PEDRO,numa via escura, sem luar, perto do mar, numa madrugada, vespera da ressurreição!
Pairam muitas reflexões que em nada muda o acontecido, mas que poderão servir de alerta para preservação de outras vidas no trânsito.
A Justiça está a caminho.
Em julgamento, a ação humana, não o fatalismo. Evitemos pensar em fatalismos.
O FATALISMO preconiza, que ..."tudo é necessário, temos que nos conformar e nos resignar".
"O ACIDENTE DE TRÂNSITO NÃO É UMA FATALIDADE"!

REFLEXÕES/INDAGAÇÕES:

SE, o "amigo" de PEDRO, que dirigia o veículo, não tivesse ingerido bebida alcoólica, antes do acidente;

SE, o "amigo" de PEDRO, que dirigia o veículo, que fez PEDRO, vítima FATAL, não tivesse apenas, 06 MESES de PERMISSÃO PARA DIRIGIR;

SE, o "amigo" de PEDRO, estivesse na velocidade compatível, com o dia chuvoso, a pista escura e molhada, e a permitida pelo trânsito da via;

SE, a velocidade impressa, pelo "amigo" de PEDRO, permitisse desviar sem os impactos e perdas provocados, do citado animal;

Se o "amigo" de PEDRO, não estivesse num período de problemas afetivos, pessoais e familiares;

Se o "amigo" de PEDRO, não tivessse assumido os riscos da velocidade e da ingestão de bebida alcoólica, muita coisa poderia ter sido evitada, destacadamente, a MORTE DE PEDRO. Pois a única pessoa, que estava no carona, que não tinha feito uso de bebida alcoólica, pediu para assumir a direção do veículo, mas o amigo de PEDRO, se negou a transferir o comando do veículo, portanto assumiu todos os riscos.

"Não é possivel voltar no tempo e salvar os que já morreram nas estradas, mas sim impedir outras PERDAS DESNECESSÁRIAS"...(Declaração dos jovens sobre segurança no trânsito)

Na Denuncia do Ministério Público, está pontuado, que o "amigo" de PEDRO, cometeu os delitos previstos nos arts. 302 e 303 da Lei 9503/97. (marianabbcerqueira)

4 comentários:

fernando diniz disse...

Cara Mariana,
A sus dôr eu conheço!
Sómente quem perde um filho de forma trágica como nós, pode ter a real dimensão da dôr da perda!
Nossos filhos morreram por causas fúteis e totalmente evitáveis.
A sociedade precisa reagir de forma energica contra este tipo de violência. A insensibilidade da sociedade está provocando uma acomodação dos nossos magistrados no que se refere a sentenças, para quem ceifa uma vida de forma cruel no trânsito.
Eis a banalização da vida!
Temos uma dura luta pela frente, que é colocar os assassinos do trânsito atrás das grades!
Se não podemos voltar atrás com esta triste realidade, como você mesmo disse, entretanto, podemos envidar todos os esforços e recursos necessários, para evitar que tantos outros inocentes continuem perdendo suas vida, como frutos maduros que caem das árvores!
Que Deus lhe conceda a paz merecida.
Com respeito,
Fernando Diniz

Mariana MÃE disse...

Caro FERNANDO,
Este tempo, é tempo sangrento, é tempo de muita dor!
Demarca a passagem de uma vida jovem, MEU FILHO, com projetos iniciados e imperativamente abortados, por ter sido vítima de ação delituosa de trânsito.
Nós, vítimas de DELITOS DE TRÂNSITO, somos a MARCHA COLETIVA, O EXERCITO QUE CARREGA AS ARMAS DA DENUNCIA,DA PREVENÇÃO, EM SINAL DE PROTESTO À IMPUNIDADE NO TRÂNSITO, EM SINAL DE RESPEITO A VIDA, EM SINAL DE LUTA POR UM TRÂNSITO SEGURO.
Estamos fazendo a nossa parte e convocamos com nossa participação, nas frentes que abrimos,outras vítimas, como nós, para engrossar o nosso pelotão de luta, ampliar a nossa voz, para que haja outras "PERDAS DESNECESSÁRIAS"
Igualmente aos Jovens do Mundo, que assinaram em Genebra, a Declaração dos Jovens sobre Segurança no Trânsito,..."entendemos que a segurança no trânsito tem tanta relação com um ambiente de trânsito seguro como com o comportamento prudente dos condutores de veículos"

Mariana MÃE disse...

retificando:
para que NÃO haja outras "PERDAS DESNECESSÁRIAS.

Unknown disse...

Amiga Mariana,

Tenho o privilégio de te conhecer pessoalmente e estreitar laços de amizade com essa mulher guerreira, forte e determinada. Aos poucos vou abrindo seu diário e participando dessa sua trajetória em busca do seu objetivo que acredito que já conhecemos.
Deixo pra vc essa mensagem de amor e carinho pra quem já é especial pra mim.
"Sabe que a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques. Com surpresas agradáveis, alguns acidentes. Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que virão a ser essenciais para nós. É o embarque dos nossos irmãos, nossos amores, nossos filhos. Há pessoas que tomam esse trem só a passeio. Outros carregam só tristezas. Outros circularão prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros, quando desocupam o assento, ninguém nem sequer percebe. Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, se acomodam em vagões diferentes do nosso. Portanto somos obrigados a fazer o trajeto separados deles, o que não impede, claro, que cheguemos até o vagão deles. Mas, muitas vezes chegamos mas não poderemos sentar porque o lugar ao lado deles já está ocupado. Não importa! É assim a viagem, cheia de atropelos , sonhos, fantasias, despedidas porém jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor forma possível. Tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando que, em nossas fraquezas, eles poderão nos ajudar. O grande mistério é que nunca saberemos em qual estação vamos descer. Por isso temos que fazer com que nossa viagem nesse trem seja tranqüila e feliz e que cada dia, valha a pena."Te adoro e vamos continuar lutando....Um beijo, Inez Vasconcelos

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O estigma da morte é ferro, fogo e sangue nas emoções. É o peso que se carrega, não apenas pessoal, mas coletivamente, no prcessar simbólico do que é viver e do que é morrer! É a experiência humana de finitude! É mergulho profundo nas aguas da emoção, razão, imaginação. Tudo em busca de um sentido, da fé...