terça-feira, 27 de novembro de 2007

CONFIDENCIAL À VIDA

Mariana MÃE

Longo tempo se passou, continuo carregando minha dor e saudades!
Só agora, me deparei comigo mesma, para perceber e entender, porque sou, "digna de pena"!
Tudo que está impregnado em nós, temos dificuldades de perceber e reconhecer, pois o que está entranhado, pode se confundir, com outros aspectos aparentes, que remetem à força, coragem, etc.
Não gostamos de reconhecer em nós, aquilo que em nós mesmo, incomoda, que é mal-estar.
A presença do outro, o outro mais próximo, familiar, amigo, me faz enxergar, em mim mesma, aquilo que me incomoda, ser "digna de pena".
Isto, não apenas, por fazer parte ou conhecer minha história, mas, também, por tudo que não se consegue segurar, e que numa tortura infindável, se diz tudo que eu não gostaria que fosse dito, que eu não gostaria de ouvir. São os acometidos de "INCONTINÊNCIA VERBAL".
Querem me fazer perceber e entender, que sou "digna de pena".
A verticalidade da comunicação, me faz perceber a posição de espectador e inatingível, do outro.
Comunicação vertical, pressupõe posição de superioridade.
A comunicação sobre perdas, se dignifica quando tem horizontalidade. Interlocutores se colocam em idênticos lugares, em idênticas experiências, o que faz fluir proximidade, proteção, compaixão.
Ficar na defensiva, como preciso estar, para continuar viva e lúcida, é às vezes, meu escape.
Me parece, que há uma necessidade em promover o reavivamento explicito, de tudo que faça trazer à tona, a perda, me causando mal-estar, a fraqueza indesejada e que precisaria ficar adormecida, pelo menos invisível, por questão de sobrevivência.
Sádicos verbais!
Caberia ao outro, o esforço, de deixar a minha realidade, que doi, intocada. Não é mais preciso, provocar sangramentos emocionais.
Não é necessário dizer o óbvio, fazer coro com o mundo, badalar o prato indigesto da piedade.
Perto de mim, tente engolir, que sente pena de mim!
O mundo não tem ouvidos para a dor, o insucesso, o terror, o que é ruim, o que causa má impressão, rejeição; a não ser, para se perceber, que se foi poupado.
Todos estamos tentando camuflar, o que não queremos ver em nós e não queremos igualmente, que outros vejam.
A vida não é fácil prá ninguém, embora tenha complexidades diferenciadas.
Ninguém quer ouvir o que incomoda, e, quando o que incomoda, se faz visível através do outro, queremos este outro, muito distante.
Não se pode imaginar, dimensionar, o estrago que causa, ouvir repetidamente, sobre o desagradável, o óbvio que queremos silenciar em nós, que nos causa dor.
Você precisa se descontaminar da minha dor, para que consiga engolir, o que te inspiro, "pena".
É preciso tempo e muita reflexão, para que, os "dignos de pena", se recomponham consigo mesmo.
Chega de "piedade"!
Precisamos seguir em frente, e para tanto, recolher a dor, é o caminho viável de permanecer construindo novos projetos.
Pagar o preço da perda é continuar no caminho, continuar construindo.
Processar a dor da perda, em nós, já maduros, não é tarefa fácil. Imagine naqueles que se iniciam a experienciar e descobrir a vida, em plena efervescência da infância e juventude!
Meu maior privilégio, é permanecer lúcida e a lucidez, me remete a estas reflexões.
Não podemos permanecer vítimas da vida.
Que você possa me olhar novamente, com olhos e sentimentos de vida, e também perceber que o caminho de pedras perfurantes é caminho de todos e que a qualquer hora, pode aparecer novo pé sangrando.
Existe o oceano da vida para nos banharmos em novos desafios. (marianabbcerqueira)

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O estigma da morte é ferro, fogo e sangue nas emoções. É o peso que se carrega, não apenas pessoal, mas coletivamente, no prcessar simbólico do que é viver e do que é morrer! É a experiência humana de finitude! É mergulho profundo nas aguas da emoção, razão, imaginação. Tudo em busca de um sentido, da fé...